"É de elementar justiça que, num momento em que o país se encontra em saneamento, sejam os municípios alvo de políticas de consolidação financeira do poder local", defendeu o autarca..Segundo este responsável, vários factores se conjugaram para conduzir quase dois terços dos municípios a uma situação de ruptura financeira, nomeadamente "os mil milhões de euros retirados às autarquias desde 2005, uma Lei das Finanças Locais absolutamente ruinosa e o seu incumprimento no que toca à comparticipação dos impostos, os cortes orçamentais e o aumento dos encargos" financeiros.."A consolidação financeira do poder local é absolutamente indispensável e urgente, porque se avizinham mais cortes. Como refere aliás o acordo com a 'troika', [estão previstos] mais [cortes de] 6% das transferências em 2012 e mais 6% em 2013", realçou..Frexes defendeu que não se pode olhar para o poder local "como se fosse o parente pobre" do Estado.."Como tal temos de reinventar novas formas de suporte da realidade local e colocarmos efectivamente a sustentabilidade financeira dos municípios na agenda política", disse..Neste sentido, o autarca do Fundão considerou que "os fundos comunitários são porventura a última janela onde há meios financeiros".."Eles devem ser reorientados e reprogramados para que as autarquias possam obter mais recursos para fazer face às exigências a que estão sujeitos", defendeu..A sustentabilidade financeira dos municípios é um dos temas abordados hoje por cerca de mil autarcas, reunidos em Coimbra no XIX congresso da ANMP, sob o lema "Ao Serviço de Portugal e dos Portugueses"..Na agenda dos autarcas estão ainda a transferência de competências do poder central para os municípios com os correspondentes meios financeiros, a reorganização administrativa e a distribuição de verbas do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).